Flavia Borba

O Livro da Artista dos
Cavalos
SEDE

"A Onda"-
Obra Virtual - 1998
" Fico diante deles como um surfista
na frente de uma onda gigante.
Uma mistura de medo e fascínio faz eu me sentir pequena diante
de tanto poder."
Sede
| Um dia, inconformada com a sede de um
cavalo de um carroceiro que descansava na frente de meu
prédio, decidi dar água para ele. O vasilhame escolhido
não era um balde ou coisa assim era simplesmente uma das
panelas da cozinha de minha mãe e, como tal, a minha
sorte é que ela esqueceu disto devido ao susto que
preguei na família. Bastante metidinha, sem consultar nem o dono do cavalo, fui chegando perto dele oferecendo a água. O animal assustado me olhou e, no reflexo, me atacou com os dentes me mordendo. Ferida e humilhada saí dali chorando, meus tios que ali estavam curiosos, me acompanhando com os olhos, correram para me socorrer. A mordida tinha me machucado muito e eu estava cheia de hematomas e arranhões. Os olhares preocupados me rodeavam, minha mãe corria de um lado para outro e cada um dava um palpite diferente. No meio da confusão lembrei do cavalo e gritei: - Parem com isto, eu estou bem, mas será que alguém deu água para aquele pobre animal? Desta lembrança tenho a forma magnífica que eles atacam para se defender. Tudo neles fica selvagem e lindo. As cabeças dos cavalos são, para mim, esculturas que se movimentam para dar o seu espetáculo ou atacar. Fico diante destes animais como um surfista na frente de uma onda gigante. Uma mistura de medo e fascínio faz eu me sentir pequena diante de tanto poder. |
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